quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Existem dois pontos cruciais para tudo. Um deles é o meio. O outro, o fim. O inicio desde sempre, nunca foi assim tão importante. É raro ser. Sentimentos surgem, momentos surgem, vozes e calores também.
Para a saudade, por exemplo, existe o tempo que só a transforma numa constante eterna. E na mesma proporção que ela aumenta, nota-se que aumentam, também, os sentimentos. Para o amor, existe a solução. E essa minha solução é uma denominação química mesmo, não lingüística.
Quantas (milhares de) vezes ouvi dizer que o amor aparecia com o tempo. Ouvi dizer também que ele simplesmente não aparece. Assim como também ouvi que o amor não existe. Mas afinal, amor e saudades são sentimentos comuns. Se existem saudades, obviamente existe amor. E se existe amor, existe também ódio, não menos importante (ou mais importante que o amor). Não que seja seu oposto, pois, não é.
Existem também aqueles que são indiferentes. E é exatamente com esses que se deve tomar cuidado. A indiferença é um passo antes de tudo. É um passo antes mesmo do inicio. Por isso, eu me sinto no direito de dizer que a indiferença não é um sentimento, mas a falta de todos.
Comigo não foi diferente. Nunca foi. Na verdade, foi indiferente. Desde o primeiro momento, até nosso ápice. E esse ápice, diferente e não indiferente a toda história, nada mais foi que o próprio fim. Se é que posso dizer que, nessa história, existe um fim.
Nossa história foi banhada a orgulho e mergulhada em lágrimas. O orgulho dela. Nossas lágrimas. Nossa história é exatamente o que qualquer pessoa teme viver, porém, nós vivemos e bem. Não só vivemos no melhor dos sentidos da palavra, mas hoje, abro os olhos e peito pra dizer o quanto ainda a amo. Ou a odeio. A única coisa que nunca senti foi exatamente a temida indiferença.
O início
Tivemos dois inícios: o meu e o dela. O meu, como uma dramática e impaciente pessoa que sempre fui, não demorou muito. Melhor dizendo, não demorou nada. Assim que a vi, todos os astros se uniram no céu e gritaram aos meus ouvidos, “é ela”.
Ela insiste em dizer que não sabe até hoje como tudo aconteceu. Ousa dizer que foi apenas o destino. Ousa insinuar que fomos feitas para sofrer juntas. A única coisa que ela nunca ousou dizer foi que me ama. Dessa ousadia eu me encarreguei inúmeras vezes.
Vencendo aquele orgulho já citado, ela veio de encontro a mim como nunca fez. E como nunca fez também, lançou sobre mim toda a sua carga feminina, todo seu cheiro, toda a sua voz, todas as suas curvas e toda a sua história. De inicio, vendo que ela era toda para mim, percebendo que meus sentidos estavam todos direcionados a ela, não pude evitar meu coração palpitar freneticamente, respondendo todos os seus todos e todas.
Anéis nos dedos, ali, não fariam a menor diferença. Naquele cenário de pura coincidência planejada, de puro futuro concebido, eu poderia sim ser qualquer um daqueles adornos que a acompanhavam. Inclusive o anel de compromisso. Anel, que posso também chamar de dor. Dor essa que deixei para sofrer mais tarde.
Quando nossas conversas se voltaram para mim, me virei de costas. Deixei toda a carga de meus ombros falarem mais alto. Deixei tudo o que precisava saber sobre suas coxas e assim, enquanto ela sorria, foi a primeira a apontar o anel em meu dedo. Desde então, nossos problemas começaram. Anel por anel, nossos laços históricos mais pareciam triângulos de penrose. Nossas dores mais pareciam facadas ou feixes de memória que se colidia com as nossas vontades e desejos.
Digo a todos que este momento é o mais propício para citar o fim da nossa indiferença. Aqui surgiu. O que, nós não sabíamos. Mas tínhamos certeza de que era algo. E provavelmente, em breve, forte.
Fim da indiferença
Mais do que provável, nossos encontros se tornaram cotidiano. Nada incomodava mais. Anéis¿ Triangulos de penrose¿ O que é isso perto de nós duas¿
Foi aqui que percebi quem ela era. Quem ela é. Percebi que além de cheiros, vozes e curvas, Manoela é uma garota fantástica. Encantadora. Maravilhosa. Deuses! Eu poderia ficar dias dando adjetivos pausadamente àquela garota, mas prefiro deixar assim. Prefiro não me entregar. Ela me ensinou a ser assim, também. Além de tudo, ela ainda conseguia ser orgulhosa. Vez ou outra colidiam-se uns “quês” sem porquês em seus lábios rosados e doces, e mal sabia ela que nossas brigas seriam o amargo. Amargo para equalizar. E que lábios!¿
Músicas, fotografias, filmes, enfim. Arte em geral faz parte de seu dicionário. Bom gosto, auto-critica, e principalmente aquela mania que ela tem de corrigir sempre meus erros de português no meio de uma conversa importante. Ah! Mas que mania irritante mais calorosa e agradável. E que delícia seus lábios fervendo ao ódio. E seus olhos arredondados e escuros. Dois túneis que levavam diretamente a sua alma, que mesmo tão nítida, insistia me contradizer. Seus cabelos ruivos, verdadeiras ondas quando se jogavam aos meus lençóis. Um mar de fogo, quando deixava suas ondas quebrarem o movimento no leito de meus ombros.
Percebia-se logo ali que não éramos as mesmas pessoas de antes. Eu já tinha metade de Manoela. Manoela, já tinha alguma parte de mim. Nossos amigos comentavam, previam nosso futuro e descreviam, com detalhes, como se os tivessem, todo o nosso passado. Breve passado. Que ao seu lado, mais parecia um livro. Agradável era senti-la cada vez mais. Agradável era respirá-la. Agradável era até dividir seus problemas, mesmo que, para nós duas, a situação não fosse agradável. Porém, estávamos construindo um nós. Um nós. Cheio de dor, cheio de nós, porém, de nós duas. Até aqui, anel não existia mais.
O meio
Como tudo em nós, problemas. Meus e seus. Sem laços de passado, porém laços, ou melhor dizendo, peças. Peças essas que foram colocadas como pedras em nossos caminhos. E a cada tropeço, mais forte segurava suas mãos. Eu não a deixaria. Já era possível prever nosso nunca fim. E deste nosso nunca fim, resolvemos unir nossas peças, ou problemas, e vivemos. Vivemos o que nunca poderia imaginar antes. Uma chance. Chance a loucura, a fantasia e ao medo. Um medo que me dava sede e sede dela.
Dias que pareciam uma eternidade, pensamentos que fluíam a sua espera e noites que voavam. Noites que voaram. Noites que me fizeram viajar várias e várias vezes para os braços de Manoela. Sonhos. Desejos. Amor. Foi com ela que descobri o significado... Disso.
Falar de amor, como já citado, nunca foi fácil. Nunca será. Aquele velho e inexplicável amor do qual estamos cansados de saber, mas poucos sentem realmente ou suficientemente para descrever. Ou, quem sabe, o suficiente para não conseguir descrever passando para o papel, para a tela, para o desejo e para a pessoa que se ama. Inacabável e inabalável, o amor. Amor foi o que senti com ela. Amor foi o que vivi com ela. Amor foi o que sonhei, o que respirei e o que quis. O amor se tornava ali tão importante que era uma terceira pessoa. Eu, Manoela e nós duas juntas. Porém, amar Manoela não foi como amar qualquer pessoa. Não foi como amar seu amor, o amor da sua vida, aquele suposto sublime sentimento. Amar Manoela foi mais que amar. Foi sofrer, odiar, querer, desejar, ter saudades e todos os outros sentimentos, menos indiferença.
Uma bela noite, na qual mais uma vez pude ter certeza que seria a última de nossas brigas surgiu a grande questão:
-“Vamos tentar¿”
-“tudo bem.”
Dizer “sim” seria objetivo demais para seus lábios doces. Era como trair seu doce orgulho e se entregar demais. Entregar. Foi de pouca entrega que vivemos e vivemos bem. Bem o suficiente para sentir saudades no suposto fim. Mas veremos isso depois.
1 mês, 2 meses... 3 meses. Rápido. Não, não foi rápido. Foi assim e pronto. Não, não foi “assim e pronto”. Quando acabou, não acabou realmente. Senti várias vezes que terminávamos junto com a noite e amanhecíamos juntas novamente. Era como morrer todos os dias e ressuscitar no dia seguinte, bem cedo, após uma noite inteira acordada pensando nela e chorando, talvez. Ou após uma noite inteira sonhando com seus olhos meigos, seus lábios pequenos, seus cabelos, suas mãos... E eu era boba de amor. E eu sou boba de amor por ela.
A nossa história se dividiu em várias etapas, mas a mais importante a ser citada é aquela de todos os dias. Aquele momento crucial ao qual tentamos algo já desmoronando e mesmo assim, o amor nos enlaçava juntas a cada dia mais. A cada dia mais terror e a cada dia, mais amor. Amor e ódio, amor e ódio. Com Manoela aprendi que o ódio é um sentimento bom, ele te dá sede de amar. E é exatamente por essa sede que Manoela é meu oásis. Da sede que me dava, me reconstruía em seguida com poucas palavras e pouquíssimos “eu te amo”. Fez me derreter mil vezes, em lágrimas, então. A cada dia a força diminuía, a cada dia o amor aumentava.
Ao fim dos 3 meses juntas, o fim não foi exatamente como o esperado. O fim, não foi como os fins convencionais. Não digo que não foi triste, pois foi e muito. E mais uma vez reguei todas as flores com lágrimas, mas essas flores eram para ela. Foi como entregar essas mesmas flores, dizendo que me ama e me dando adeus. Uma partida que não é partida. O fim que nunca será um fim, realmente. Dias passavam, noites passavam e a importância de Manoela só aumentava e aumentava. Pude perceber ali que eu não conseguiria a esquecer tão facilmente e então, desisti de esquecê-la. Entreguei-me completamente a lembrar de Manoela, a vê-la, observá-la nem que fosse de longe, mas ter a sede cada vez maior. A sede de querê-la aqui cada vez mais.
Eternamente Manoela
De sede por sede, como o previsto, nunca me esqueci. Passo dias a recordar, me pego às vezes viajando para o seu lado, me preocupando e pensando no que estaria fazendo naquele exato momento que estou pensando nela. Manoela se tornou mais que um amor, um querer e um desejo. Manoela se tornou um vício, uma obsessão e um amor incondicional. Nunca precisei me importar com a distancia de nossos corpos e temperaturas, já que sei que por mais que exista distancia, existe também uma Manoela aqui comigo sempre.
A Manoela que antes quase não dividia amores comigo, hoje divide saudades. Hoje divide recordações. Não sei se para ela tive a mesma importância e nunca me importei exatamente em saber, já que estive muito tempo ocupada amando a cada vez mais. Vez ou outra sinto uma lágrima sem graça no cantinho dos olhos, querendo saltar da face. Vez ou outra sinto um aperto no peito, mas uma certeza de que sempre tive e provavelmente sempre terei, é de que desisto de tentar lutar contra minha memória, contra minhas saudades.
Sinto ciúmes, sinto saudades e ao mesmo tempo, não a sinto. Quero voar, quero viver, quero voltar o tempo, mas já foi. Em mim, nunca partirá, nunca me deixará a memória. Parte de mim foi Manoela um dia e outra parte ainda espera por ela. Parte de mim esperará até quando ela voltar, se ela voltar, para mim.
Manoela, ainda te amo. Sinto saudades todos os dias. Choro às vezes e penso em você bastante. Tenho medo de te incomodar, tenho medo de mexer de novo com sua vida como havia feito antes. Sei que caminhos estão porvir, para você e para mim também, porém te desejo toda a sorte que você precisar e se não precisar, te desejo todo meu afeto. Saiba que, todas as flores que reguei estão guardadas para ti, quando um dia voltar. Não me esquecerei da sua voz que às vezes resolve ecoar na minha memória. Não me esquecerei do seu rostinho meigo e ao mesmo tempo, tão cheio de personalidade. Parecia bobagem quando tudo começou. Parecia normal. Não tive idéia da gravidade disso tudo e por fim, percebi nosso envolvimento quase fora do comum para a distancia. Pois tudo em nós foi fora do comum, fugiu a qualquer clichê, fugiu. Fugiu o bastante para que meus sentimentos percorressem distancias e obstáculos absurdos para chegar até você.
Eternamente, MINHA Manoela.