Fim da indiferença
Mais do que provável, nossos encontros se tornaram cotidiano. Nada incomodava mais. Anéis¿ Triangulos de penrose¿ O que é isso perto de nós duas¿
Foi aqui que percebi quem ela era. Quem ela é. Percebi que além de cheiros, vozes e curvas, Manoela é uma garota fantástica. Encantadora. Maravilhosa. Deuses! Eu poderia ficar dias dando adjetivos pausadamente àquela garota, mas prefiro deixar assim. Prefiro não me entregar. Ela me ensinou a ser assim, também. Além de tudo, ela ainda conseguia ser orgulhosa. Vez ou outra colidiam-se uns “quês” sem porquês em seus lábios rosados e doces, e mal sabia ela que nossas brigas seriam o amargo. Amargo para equalizar. E que lábios!¿
Músicas, fotografias, filmes, enfim. Arte em geral faz parte de seu dicionário. Bom gosto, auto-critica, e principalmente aquela mania que ela tem de corrigir sempre meus erros de português no meio de uma conversa importante. Ah! Mas que mania irritante mais calorosa e agradável. E que delícia seus lábios fervendo ao ódio. E seus olhos arredondados e escuros. Dois túneis que levavam diretamente a sua alma, que mesmo tão nítida, insistia me contradizer. Seus cabelos ruivos, verdadeiras ondas quando se jogavam aos meus lençóis. Um mar de fogo, quando deixava suas ondas quebrarem o movimento no leito de meus ombros.
Percebia-se logo ali que não éramos as mesmas pessoas de antes. Eu já tinha metade de Manoela. Manoela, já tinha alguma parte de mim. Nossos amigos comentavam, previam nosso futuro e descreviam, com detalhes, como se os tivessem, todo o nosso passado. Breve passado. Que ao seu lado, mais parecia um livro. Agradável era senti-la cada vez mais. Agradável era respirá-la. Agradável era até dividir seus problemas, mesmo que, para nós duas, a situação não fosse agradável. Porém, estávamos construindo um nós. Um nós. Cheio de dor, cheio de nós, porém, de nós duas. Até aqui, anel não existia mais.
O meio
Como tudo em nós, problemas. Meus e seus. Sem laços de passado, porém laços, ou melhor dizendo, peças. Peças essas que foram colocadas como pedras em nossos caminhos. E a cada tropeço, mais forte segurava suas mãos. Eu não a deixaria. Já era possível prever nosso nunca fim. E deste nosso nunca fim, resolvemos unir nossas peças, ou problemas, e vivemos. Vivemos o que nunca poderia imaginar antes. Uma chance. Chance a loucura, a fantasia e ao medo. Um medo que me dava sede e sede dela.
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